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Cobertura Brasil Game Show – Dia 7/10

Depois de participar de algumas palestras no dia 6, Lucas Moreira nos traz mais novidades do evento, incluindo GRANDES novidades sobre Street Fighter vs Tekken.

Hoje, houve uma mesa redonda sobre o mercado brasileiro de games, onde muitos pontos importantes foram discutidos. De modo geral, foi dito que existe um grande interesse no mercado brasileiro, em desenvolver dentro do país e em desenvolver usando a cultura brasileira como base. Ao mesmo tempo, também foi dito que ainda existem muitos empecilhos, como a falta de incentivo do governo. Mesmo com cada vez mais indústrias demonstrando interesse no mercado de games do país, o governo parece dificultar cada vez mais as coisas tanto para consumidores quanto para os responsáveis por desenvolver jogos – agora, o governo quer tributar até mesmo a distribuição digital. Além disso, ainda é necessário combater o preconceito com jogos, que ainda é muito forte no país. Mas, ainda assim, o mercado brasileiro continua a crescer e a atrair olhares interessados de cada vez mais empresas do ramo, e os esforços para incentivar a comercialização e o desenvolvimento de jogos no país continua, cada vez mais forte. A Microsoft, embora agora esteja produzindo consoles e jogos no país, continua a colaborar com os incentivos a favor dos games no país. Outros pontos mencionados, ao falar-se de um debate que houve em Agosto no BNDES, foi que existem bons profissionais do ramo no país, mas ainda falta estes profissionais existirem em número; melhorar a educação no país; combater a pirataria; reduzir preços. Quanto ao combate à pirataria, que ainda é algo muito forte no país, alguns fatores mostram que pode haver uma “luz no fim do túnel”: o Kinect não foi bem comercializado no mercado pirata, sendo predominantemente vendido de modo legal, e Gears of War 3 vendeu muitíssimo bem em pré-venda e no primeiro dia de vendas. Um último ponto que vale a pena mencionar é que, com a baixa das economias americana e européia e a alta da economia brasileira, cada vez mais empresas demonstram interesse no mercado brasileiro.

Ono, durante a palestra, falando sobre SFxTK

O boneco do Blanka acompanhou Ono durante todo o evento

Após a mesa redonda, tivemos uma das palestras mais esperadas do evento: Yoshinori Ono, da Capcom. Quem viu a palestra, sabe de uma coisa: Ono possui um carisma enorme. Várias vezes ele fez brincadeiras e piadas durante sua palestra, o que tornou tudo muito mais divertido. Ono falou da história de Street Fighter, desde o primeiro jogo até o mais recente. Falou sobre como Street Fighter 2 tornou incrivelmente famoso o gênero de jogos de luta, sobre a Capcom ter decidido não fazer mais jogos de luta depois do fracasso de vendas de Street Fighter 3 e sobre Ono ter sido remanejado para outro setor da empresa por causa deste ocorrido, até finalmente a Capcom voltar atrás na decisão, 11 anos depois, a pedidos de muitos fãs, e assim Ono voltar a trabalhar na série. Neste ponto, ele mencionou uma dificuldade que teve: ele queria voltar às raízes de Street Fighter 2, mas a Capcom não queria deixar. Ainda assim, ele insistiu e seguiu sua idéia mesmo assim e o resultado é o que vimos: Street Fighter 4, um enorme sucesso, com Super Street Fighter 4 algum tempo depois. Enquanto falava da trajetória da história de Street Fighter, Ono comparava Chun-Li, de Street Fighter, e Nina, de Tekken. Na primeira comparação, ele brincou, dizendo que “dava para levar Chun-Li de biquini a praia”, enquanto Nina, que aparecia no primeiro jogo de Tekken, “não dava”. Já na outra comparação, na qual Nina aparece no jogo mais recente de Tekken com uma aparência muito melhor, Ono voltou a brincar, dizendo que “já dava para levar Nina de biquini à praia”. E, depois de falar sobre a história de Street Fighter, Ono falou sobre um jogo muito esperado: Street Fighter vs Tekken, um jogo que foi feito depois de tanto Street Fighter quanto Tekken terem evoluido e adquirido ambos um grande número de fãs. Ono chegou a perguntar à platéia quem preferia Tekken e apenas uma pessoa levantou a mão, a quem Ono chamou de “corajoso” e completando dizendo à platéia para “pegar ele na saída”. Brincadeiras feitas, finalmente falou-se do jogo e então pôde-se perceber que o jogo realmente promete. Além de personagens para agradar fãs de ambas franquias, o jogo também traz, além de fatores já conhecidos como supers, a inclusão de mais de um personagem por luta. Embora isto já tenha sido visto em outros jogos, SFxT traz novidades nesta mecânica: além de poder trocar de personagem normalmente ou durante um combo, o jogo também permite que ambos os personagens de um time estejam em luta ao mesmo tempo. Também há o chamado Cross Arts, no qual os personagens combinam supers para causar um dano ainda maior no oponente. Por fim, não apenas o jogo traz mais de 2 personagens por luta, como também permite que mais de 2 jogadores participem da mesma luta, com até 4 jogadores por luta, cada um com um personagem. Ono brincou, dizendo que, como “quem estava lá em uma sexta-feira às 5 da tarde obviamente não tem namorada”, isso pode ser “uma desculpa para chamar uma amiga e um casal para jogar, assim você pode arranjar uma namorada, mas tem que ser melhor que ela”. Brincadeiras à parte, uma outra mecânica do jogo muito importante é a chamada Pandora, onde sacrifica-se um dos personagens para receber um enorme boost durante a luta. E a palestra terminou do melhor modo possível: o anúncio de três novos personagens, que até então não haviam sido anunciados em nenhum outro lugar, em nenhum outro momento. No entanto, assim como os outros trailers de personagens do jogo, os trailers deixaram bastante mistério no ar, com muita especulação sobre quem poderiam ser… Eu, pessoalmente, não consegui reconhecer nenhum dos três. Mas, deixando mistérios de lado, Ono falou muito durante a palestra sobre as mulheres brasileiras, dizendo que em Copacabana “só viu velhas” e várias vezes pedindo para seguirem-no no Twitter e dizer a ele “onde estão as gatas”… Quem sabe se ele conhecer mais algumas garotas gamers do Brasil, ele tenha a resposta de sua pergunta? Ah, e Ono também não pôde deixar de falar de seu boneco do Blanka, que ele havia ganho em uma promoção do McDonald’s nas Filipinas, mas que havia quebrado na viagem para o Brasil. No entanto, uma fã enviou a ele um boneco novo e ele fez questão de mostrar ao público. Enfim, depois da palestra, Ono desceu para a feira, onde deu uma seção de autógrafos. Uma fila enorme se formou para a seção de autógrafos, onde cada pessoa ganhava um poster de Street Fighter vs Tekken que era autografado por Ono. Ele também não deixou de mostrar seu boneco do Blanka e fazer caras e bocas nas fotos.

Ganhadores sobem ao palco para pegar seu prêmio

Os ganhadores de todas as categorias, reunidos

Após a palestra, houve a final do Brasil Game Jam. Infelizmente, quando a final começou, eu havia descido para tentar falar com Ono, que já tinha descido para a feira (e, infelizmente, acabou sendo em vão…), portanto, acabei perdendo um pedaço da final do Game Jam. Porém, mesmo tendo perdido um pedaço, percebi que os jogos finalistas não eram finalistas à toa. De jogos sociais a jogos mais “hardcore”, todos eram jogos excelentes e muito promissores. Estes foram os vencedores em cada categoria:

 

 

          • Melhor Jogo Independente: Light Benders [O vencedor desta categoria também irá participar do GDC (Game Developers Conference – traduzindo: “Conferência de Desenvolvedores de Games”)]
          • Melhor Jogo do Ano: Game Stock Car
          • Originalidade: Hipercubo
          • Social Game: Ecocity
          • Trilha Sonora: Taikodom
          • Artes/Design: Game Stock Car
          • Advergames: Jogos de Bar Montilla
          • Jogabilidade: Faeries vs Darklings
          • Jogo Educativo: Mito da Caverna – A Floresta de Salvin
          • Mobile: O Mundo vs Danilo Gentili

À direita, Antonio Santos, com um colega de equipe da Gazeus

Depois do Game Jam, conversei com mais algumas pessoas presentes na área de B2B. Falei com a equipe da Gazeus, que foi originalmente criado há 6 anos atrás com foco em jogos de cartas, mais tarde se juntando com o site The Social Poker e formando a Gazeus Games. Foi também a Gazeus Games que fez o Music City, que estava participando do Game Jam, um jogo social onde o jogador se torna um músico, começando desde tocar violão na rua até se tornar mundialmente famoso, adquirindo novas roupas para mudar sua aparência, praticar suas habilidades musicais e até permitir que outros amigos vejam suas apresentações ou ver as apresentações dos amigos. Antonio Santos Alvez, da Gazeus, também foi um dos palestrantes do Brasil Game Show, tendo se apresentado no dia 5, na Sala Verde.

 

A equipe da Nano Games presente no evento

Falei também com a equipe da Nano Games, que falaram bastante sobre seu trabalho. Atuando há 4 anos, possuem foco em desenvolver jogos para celular. No início da empresa, chegaram a fazer jogos para a MTV e a Nickelodeon, mas as taxas muito altas das operadoras, às vezes chegando a até 70%, sempre foi um grande empecilho. Começando a trabalhar com os aparelhos da Apple, acabaram começando a trabalhar com advergames* por muito tempo trabalharam com estes, tendo inclusive feito um advergame que passou dos 400 mil downloads, o Lux Gotas de Beleza. No entanto, hoje eles querem tirar um pouco o foco dos advergames para voltar a fazer seus próprios produtos. Eles também falaram das dificuldades de se trabalhar com advergames, como a falta de informação por parte dos contratantes, que muitas vezes não têm idéia do tempo ou capital necessário para o desenvolvimento de um jogo. Impostos e taxas de operadoras também são uma dificuldade, pois muitas vezes acabam tirando mais de 40% do lucro da empresa. Seus trabalhos mais recentes são a Vila Virtual e um quiz para o Canal Futura.

Um participante do evento, experimentando um dos modelos da Winseats

Eduardo Senra e Cintia Senra, criadores da Winseats

Em seguida, conversei com Paulo Willie Jr., representante da Winseats Virtual Racing, e com os donos da empresa, Cintia Senra e Eduardo Senra, uma empresa de Joinville que existe há 5 anos. A Winseats trabalha com cockpits para jogos de corrida, que incluem a cadeira, um suporte para os pedais e um suporte para o volante, além de mais alguns acessórios como porta-copos, no intuito de tornar a experiência de jogar um jogo de corrida muito mais empolgante. A idéia que criou a empresa e os produtos veio durante a gravidez de Cintia. O casal adquiriu um volante para ser usado com jogos de corrida e, vendo o volante em uso no jogo, Cintia teve a idéia de aprofundar ainda mais a experiência para além do uso de um volante. E desta idéia, surgiu a Winseats, que vem crescendo cada vez mais – do ano passado para cá, suas vendas triplicaram. Hoje eles têm modelos como o WSGT, seu modelo mais completo, e como o Lite, um modelo mais simples, além de também haver um acessório que pode ser acoplado para tornar o conjunto em um simulador de vôo e de também trabalharem com modelos personalizados. Os modelos da Winseats também são preparados com tratamento químico e a pintura dos modelos é pintura eletrostática a pó, garantindo ao produto maior durabilidade.

Conversei também com Santiago Lopez, da Alawar, publisher que veio recentemente para o Brasil, estando presente no país há 1 ano, mas que já vem fazendo sucesso. A empresa existe há 12 anos, originada na Rússia, e possui em seu catálogo mais 600 jogos, disponíveis em 30 línguas diferentes. Um de seus jogos mais conhecidos é o Farm Frenzy, um jogo de gerenciamento de fazenda com foco no tempo de gerenciamento do jogador, no qual o jogador deve saber gerenciar rapidamente sua fazenda. Para o ano que vem, eles esperam ter, no país, um público duas ou três vezes maior que o atual. Seu foco é em jogos de PC, mas também publicam jogos para MAC, iOS, Android, Blackberry e os portáteis da Nintendo.

Lucas Moreira tira foto com os Irmãos Piólogo

Ainda antes de ir embora do evento, tive a oportunidade de conversar com Ricardo Piólogo, um dos donos do Mundo Canibal, site muito conhecido no país por suas animações em flash e em vídeos como os vídeos da série Partoba, que estavam no stand da Seven Game. Ricardo contou que querem levar as animações e vídeos do Mundo Canibal para a TV e disse que, para quem tem interesse em trabalhar com animações, que o ideal é aprender desenho tradicional antes de fazer animações e não ser dependente dos softwares usados para fazer as animações. Mas, querendo fugir um pouco das “perguntas sérias” e descontrair, tive que perguntar a Ricardo sobre outras duas coisas que já estavam na minha cabeça há algum tempo: como eles suportaram levar choque no saco e como aguentaram tomar óleo de fígado de bacalhau. Para o primeiro caso, ele descreveu como sendo “a pior de todas as sensações”, que não existe nada pior que levar choque no saco (o que me faz admirar ainda mais a coragem deles, pois eles foram até o nível 4 do choque…), enquanto para o segundo caso, ele usou a expressão que escutou de uma outra pessoa que também já havia tomado o temido óleo de fígado de bacalhau: “o gozo da morte”. É, ainda bem que nunca tomei óleo de fígado de bacalhau… Ricardo e Rodrigo foram ambos simpatissíssimos com o público, tiraram fotos e até subiram no palco do stand da Seven Game junto de Yoshinori Ono.

* Advergames são jogos que possuem como o intuito de divulgar marcas, produtos e/ou empresas.

2 comments
xGera
xGera

Primeiro de tudo: Blanka pra presidente o/

No mais, show yari =). Parabens por essa cobertura e na próxima estaremos juntos o/

xGera
xGera

Primeiro de tudo: Blanka pra presidente o/ No mais, show yari =). Parabens por essa cobertura e na próxima estaremos juntos o/

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  1. […] ninguém menos que Yoshinori Ono, o produtor dos jogos de Street Fighter… No ano passado ele esteve presente no Brasil Game Show, andando para lá e para cá com seu bonequinho do […]