Notas dos Leitores: Lançado em 11 de Novembro deste ano, chega uma das sequências mais esperadas do ano – Uncharted 3: Drake’s Deception. O jogo mostra mais aventuras de Nathan […]
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[Análise] Uncharted 3: Drake’s Deception

Notas dos Leitores:
VN:F [1.9.22_1171]
História
Gráficos
Som
Gameplay
Replay
Rating: 9.0/10 (1 vote cast)

Lançado em 11 de Novembro deste ano, chega uma das sequências mais esperadas do ano – Uncharted 3: Drake’s Deception. O jogo mostra mais aventuras de Nathan Drake enquanto revela mais sobre seu passado e como conheceu Victor Sullivan, seu mentor. Trazendo modo cooperativo local, multiplayer online melhorado em comparação ao jogo anterior da franquia e dublagem em português brasileiro, o jogo chegou prometendo muito. E então, vem a pergunta que, até antes do lançamento do jogo, não queria calar: a Naughty Dog cumpre com estas promessas?

 

História e personagens

O terceiro jogo da franquia começa quando Nate e Sully se encontram com um homem chamado Talbot e seus capangas para vender a ele o anel que Nate usa pendurado em seu pescoço, o famoso anel que pertenceu a Sir Francis Drake, com a inscrição de “Sic Parvis Magna” (em latim, “Grandeza de Pequenos Começos”), mas descobrem que o dinheiro que é passado a eles em uma maleta é falso e cancelam a negociação, tendo então que escapar.

 

A história possui um foco muito maior no anel e na relação entre Nathan Drake e Victor Sullivan, contando mais sobre o passado de Nate e sobre como ele conheceu seu mentor, Sully. Enquanto o primeiro jogo falou sobre o tesouro de El Dorado e o segundo sobre a cidade perdida de Shambala, o terceiro conta sobre o segredo de Francis Drake, um segredo que Nathan há muito tempo vinha tentando descobrir. Durante o jogo, além de novos personagens, alguns já conhecidos dos jogos anteriores da franquia, como Elena e Chloe, reaparecem e têm seu papel na história.

 

A Naughty Dog conseguiu, mais uma vez, criar uma história envolvente, na qual o jogador cria laços com cada personagem. Lembro que, quando zerei o jogo, por várias vezes eu tinha que parar de jogar dormir, mas ficava tão curioso de saber o que aconteceria na próxima parte da história que decidia jogar “só mais um capítulo” e acabava só terminando de jogar 2 ou 3 horas depois.

 

No entanto, existem algumas pequenas falhas na história do jogo que me fazem considerar que, embora ela seja ótima, não chega a ser tão boa quanto a história de Uncharted 2 (não que isso seja um defeito, pois superar a história de U2 era algo que muitos já sabiam ser extremamente difícil). Evitaremos spoilers quem ainda não jogou, mas existem algumas poucas coisas que ficam no ar ou que não são devidamente explicadas durante o jogo.

 

Gráficos

Eu não esperava que houvesse uma grande evolução gráfica de Uncharted 2 para o 3, dado o trabalho fantástico que já haviam feito com os gráficos do 2. No entanto, por mais que a evolução não tenha sido realmente grande, ela, ainda assim, é significativa. Mais uma vez, a equipe da franquia conseguiu se superar e surpreender os jogadores. Nas partes do jogo em que há fogo, o mesmo parece incrivelmente real e os detalhes do cenário conforme o fogo se alastra e destrói são impressionantes. O detalhamento da areia no deserto é incrível e as partes que envolvem água igualmente não deixam a desejar. Chega a ser difícil descrever, é uma das coisas que se descreve como “é preciso ver com os próprios olhos”.

 

A Naughty Dog conseguiu se superar mais uma vez, mas eu não consigo deixar de pensar se, caso haja mais um jogo da franquia para o PS3, se eles vão conseguir realizar esta proeza novamente, pois com certeza será um enorme desafio. Ainda assim, se o jogo não tiver evolução gráfica mas for tão belo quanto o 3, com certeza não vai ser uma decepção, nem de longe. De qualquer maneira, há o Uncharted: Golden Abyss que será lançado para o PlayStation Vita. Muito provável que irão caprichar tanto nesse quanto capricharam nos outros jogos da franquia.

 

Sons e música

Assim como nos jogos anteriores da franquia, U3 traz trilha sonora e atuação de voz memoráveis. Mas o que realmente chama atenção em U3 é que o jogo é dublado em português brasileiro, dentre outras línguas. Isso foi um grande atrativo para os jogadores brasileiros.

 

E a dublagem não deixa a desejar. As vozes dos dubladores combinam com cada personagem, mesmo com os personagens que só aparecem no multiplayer, e os diálogos sincronizam com as falas dos personagens, não havendo momentos onde há diálogo quando o personagem não está mais falando, ou o personagem está falando mas não há diálogo.

 

A única crítica quanto à dublagem seria quanto ao excesso de palavrões. Não é que os palavrões em si incomodem, nem um pouco, pois já era de se esperar que houvessem pelo menos alguns palavrões no jogo. No entanto, parece que muitas coisas que os personagens dizem, coisas como “what the hell”, foram traduzidas usando palavrões. Não chega a ser um incômodo, mas é algo que poderia ter ficado um pouco melhor.

 

Gameplay

Uncharted 3, ao mesmo tempo que mantém fórmulas que deram certo nos jogos anteriores da franquia, também tem novidades e não são poucas.

 

A primeira delas é a água. A presença de água é forte no jogo e envolve não apenas movimentação submarina, como também envolve combate. É possível atirar enquanto está na água, assim como também movimentar-se debaixo d’água para fazer seus inimigos perderem Drake de vista. No entanto, as partes envolvendo água poderiam ter sido mais bem exploradas. Por mais que haja muita água em algumas partes do jogo e que ela possa ser usada a favor do combate, existe muito pouca exploração submarina. Nem mesmo existem tesouros debaixo d’água ou combate submarino. Deixa uma sensação de “é algo fantástico, mas podia ter sido melhor usado”.

 

Algumas mecânicas anteriores foram mantidas, mas outras foram atualizadas. O melhor exemplo disso é a mecânica do combate corpo-a-corpo, que ficou incrivelmente melhor e mais divertida em Uncharted 3. Desta vez, lutar com os inimigos “na mão” é mais complexo do que simplesmente apertar quadrado repetidamente ou uma combinação de quadrado e triângulo. Drake pode agarrar inimigos e jogá-los uns contra os outros ou jogá-los contra alguma parede ou objeto próximo, assim como também tem que evitar ser agarrado e estar pronto para contra-ataques eventuais, tanto do inimigo que está combatendo quanto outros nos arredores. Além disso, inimigos também podem agarrá-lo por trás (er… Sem piadinhas, por favor :P) para que um segundo oponente o ataque, fazendo com que Drake tenha que revidar com cotoveladas e chutes. Objetos como garrafas e copos podem ser usados para nocautear os oponentes. As animações também são bem mais legais: enquanto segura uma arma, Drake pode jogar sua arma para um inimigo e socá-lo logo que o mesmo segura a arma, usar a própria arma como uma arma branca improvisada ou puxar o pino de uma granada do oponente. Além disso, se Drake tiver pouca munição na arma ou não possuir uma arma daquele tipo (pistola ou arma longa), ele pega automaticamente a arma do inimigo durante o combo. Existem partes do jogo feitas inteiramente para o combate mano-a-mano. O jeito com que Drake tem que combater vários inimigos simultaneamente em luta desarmada lembra bastante o combate nos jogos recentes de Batman (Arkham Asylum e Arkham City), embora obviamente de um jeito bem menos acelerado.

 

O level design ficou excelente em U3. A diversidade de situações em que Drake tem que se virar para sobreviver é muito grande, desde cenas de combate envolvendo água até a combate na vertical. Os puzzles também são bem mais elaborados e fazem o jogador realmente ter que “quebrar a cabeça” para resolvê-los – e, para os jogadores que não conseguem resolvê-los, o jogo oferece dicas ou até mesmo a própria solução depois de algum tempo (mas leva bastante tempo até o jogo oferecer a solução, então o ideal é que o próprio jogador resolva e não fique esperando o jogo dar a solução).

 

Multiplayer

Uma das novidades que U2 trouxe à franquia foi o modo multiplayer, que permitia a jogadores competirem entre si ou colaborarem uns com os outros para derrotar os inimigos do jogo. Uncharted 3, por sua vez, elevou este multiplayer a um novo patamar.

 

A primeira grande novidade é que o jogo agora inclui multiplayer cooperativo local, dividindo a tela entre 2 jogadores, podendo também estes 2 jogadores locais participarem juntos de partidas online. O único problema de jogar o modo cooperativo offline é que o jogo cria uma “conta” separada para o modo offline. Assim, os jogadores não podem usar os equipamentos (Boosters, upgrades de armas e Kickbacks) desbloqueados no modo online. No entanto, isso pode ser contornado, jogando online e então incluindo um segundo jogador local antes de iniciar a partida. Isto permite, inclusive, que os dois jogadores possam participar juntos de partidas competitivas, no mesmo time, ao invés de ficarem limitados apenas aos modos cooperativos.

 

O multiplayer do jogo em si também evoluiu muito. Enquanto o multiplayer de Uncharted 2 usava Boosters apenas para os modos cooperativos e os upgrades de armas apenas para os modos cooperativos, o multiplayer do 3 agora traz Boosters e upgrades de armas para todos os modos. Os Boosters não são mais estáticos, pois podem ser melhorados até o nível 3, tendo efeitos melhores a cada nível, além de terem efeitos bem variados para cada Booster. E há também a novidade dos Kickbacks, habilidades que são ativadas conforme o jogador adquire um certo número de medalhas e que podem fornecer bônus instantâneos (como receber instantaneamente uma certa arma ou ser teleportado para uma posição aleatória do mapa) ou que duram por alguns segundos (por exemplo, poder atirar repetidamente sem ter que recarregar as armas ou aumentar o dano causado pelo personagem e todos os aliados próximos durante algum tempo). Considerando a variedade de Boosters, armas, upgrades de armas e Kickbacks, é possível deixar a jogabilidade do multiplayer bem variada de jogador para jogador.

 

Outra coisa legal é que, além de poder jogar com personagens do jogo, o jogador também pode montar seu próprio personagem – o herói personalizável é um caçador de tesouros e o vilão personalizável é um pirata. Embora a personalização seja bem limitada (por exemplo, estes personagens só podem ser homens, não é possível mudar o gênero deles), ainda é possível mudar suas roupas, cor de pele e voz.

 

Além das diferenças óbvias entre os modos cooperativos e competitivos, existe também uma outra grande diferença, que é o fato de algumas armas estarem disponíveis apenas nos modos competitivos e outras apenas nos modos cooperativos. Por exemplo, o rifle FAL é encontrado apenas nos modos competitivos, nem mesmo na campanha do jogo esta arma é encontrada, enquanto o revólver Wes .44, sendo outro exemplo, é encontrado apenas nos modos cooperativos e na campanha. Outra diferença, que está disponível em todos os modos do multiplayer mas não na campanha, é o sprint, que faz o personagem correr mais rápido durante alguns segundos.

 

Uma coisa que achei genial é que os mapas são dinâmicos, da maneira que eles não são mais apenas um lugar por onde os jogadores se movimentam e que possuem obstáculos. O mapa Airstrip no modo competitivo, por exemplo, começa com caminhões perseguindo um avião que está prestes a decolar e os jogadores devem se mover de um caminhão para outro ao mesmo tempo que lutam com seus adversários, até poderem invadir o avião e tentar manter o controle do mesmo. Depois da parte do avião, os jogadores chegam em um hangar, por onde ocasionalmente um avião passa dando um rasante disparando em todos que não estiverem protegidos. Outro exemplo é o mapa Chateau, que tem uma construção que pega fogo durante a partida. Isso torna o jogo muito mais empolgante do que simplesmente uma competição entre jogadores.

 

O modo com que a Naughty Dog criou maneiras de aumentar a interação entre a comunidade de jogadores ficou genial. A interação com o Facebook permite que os jogadores façam login em suas respectivas contas desta rede social, assim podendo ver quais de seus amigos do Facebook também jogam e podendo até chamar os que estiverem online para jogar. Tesouros repetidos obtidos também podem ser postados na timeline do respectivo jogador, permitindo que outros jogadores cliquem e recebam um bônus de dinheiro dentro do jogo. A ferramenta de criação de vídeos é fantástica, permitindo que os jogadores revejam suas partidas de diversos ângulos, podendo editar estes vídeos e publicá-los no Youtube de maneira simples e sem complicações. E, finalmente, o Uncharted TV mostra vídeos diversos do jogo enquanto o jogador está no menu do multiplayer, videos que vão desde trailers do jogo até vídeos do making-of de Uncharted 3 e vídeos feitos por jogadores.

 

Tesouros podem ser encontrados em qualquer modo multiplayer e, quando um conjunto de tesouros é completado, um novo acessório para um personagem ou uma nova arma para os modos competitivos é desbloqueado. Acessórios modificam a aparência dos personagens, incluindo coisas como peças de roupa, chapéus, óculos, etc. As armas para os modos competitivos são armas únicas de cada personagem (exemplo: M9 da Chloe) e são melhores que as versões comuns destas armas, pois são equipadas com mais modificadores que suas versões comuns.

 

O Legend é um aspecto opcional do jogo. Ao atingir o rank máximo, o jogador pode escolher adquirir um nível de Legend. Ao fazê-lo, ele retorna para o rank 1 e perde tudo que tenha adquirido, exceto personagens e tesouros (e o que tiver desbloqueado com tesouros). Existem 4 níveis de Legend e, para cada um deles, o jogador desbloqueia novos Boosters. Estes Boosters são todos competitivos e são negativos: eles fornecem uma penalidade ao jogador, como carregar menos munição ou regenerar seu HP mais lentamente, mas multiplicam o dinheiro recebido por cada oponente derrotado. Existe também um novo personagem, desbloqueado no nível 3 de Legend.

 

Embora eu tenha ficado um pouco decepcionado quando achei que U3 teria uma campanha cooperativa para 2 jogadores baseada na história do jogo e isto não ocorreu, o modo cooperativo tem o modo Aventura, que são 5 fases, contando uma história paralela e que não faz parte das histórias da série, e que é bem legal. Uma coisa legal da Aventura cooperativa é que, em uma das fases, nenhum dos jogadores joga com Nate. E, pela história da campanha, não há realmente como haver um modo de campanha cooperativa, mas ainda é algo que eu acho que seria muito interessante para um próximo jogo da série.

 

Uma outra coisa legal do multiplayer é que a dublagem do jogo se extende também aos personagens do multiplayer. Mesmo personagens dos jogos anteriores que são jogáveis via DLC, como Eddy Raja, tiveram suas vozes dubladas. Pode parecer algo óbvio para alguns, mas é um detalhe que alguns talvez julgassem não ser tão necessário, mas que a Naughty Dog fez questão de fazer bem.

 

Bugs, glitches e defeitos

Logo que começo a escrever nesta parte, me lembro de dois bugs que encontrei enquanto jogava cooperativo local com um amigo. O primeiro foi quando jogávamos o modo Aventura. Logo que começamos a fase, um dos inimigos ficou preso em uma porta, apenas com algumas partes de seu corpo visíveis, atravessando esta porta. Ao acertar um tiro em uma de suas partes visíveis, o inimigo, digamos, “entrou para dentro da porta” e assim desapareceu completamente. O problema é, nós precisávamos eliminar aquele inimigo para ter como prosseguir… Por sorte, era o início da fase, então reiniciamos e não perdemos muita coisa. O segundo caso foi quando estávamos jogando no modo Arena… Logo no começo do jogo, em certo momento, o personagem do meu amigo simplesmente atravessou o chão e caiu, ficou caindo no nada até uma hora morrer e esperar o respawn…

 

Jogando online, também me deparei com um outro bug considerável. Por duas vezes, jogando em partidas de Arena, o jogo em certo momento congelava os inimigos. Quando isto ocorria, os inimigos ficavam parados feito estátuas e era impossível derrotá-los, mesmo com granadas. Os inimigos de armadura ainda reagiam aos ataques corpo-a-corpo, mas logo em seguida, voltavam a ficar como estátuas. E mesmo se os personagens matassem uns aos outros ou cometessem suicídio na tentativa de reiniciar a rodada, o jogo simplesmente não reiniciava. Em ambas as ocasiões, fui forçado a sair manualmente da partida (o que me fez perder todo o progresso de ambas as partidas).

 

Um bug que também acontecia com grande frequência nos modos cooperativos era que, quando uma rodada terminava, os inimigos que não tivessem sido derrotados muitas vezes ficavam parados, também feito estátuas, mas neste caso, apenas por alguns segundos, depois dos quais eles caiam normalmente. Ao receberem qualquer tipo de ataque (inclusive corpo-a-corpo nos inimigos de armadura), eram contados como derrotados e o jogador recebia pontos por isso.

 

Além destes, encontrei mais alguns poucos bugs que aconteciam raramente. Devo dizer que encontrei em U3 mais bugs do que esperava. No entanto, o jogo já recebeu alguns patches, então provavelmente a maioria deles já deve ter sido corrigida.

 

Considerações finais

Prós: história envolvente, campanha vasta, multiplayer dinâmico

 

Contras: uma certa limitação quanto à liberdade do jogador no modo single-player, alguns aspectos do jogo poderiam ter sido mais bem utilizados

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